Deputado Arthur Lira(PP/AL) Foto: Agência Câmara
Nas bancadas dos partidos que formam o Centrão, base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro no Congresso, um em cada quatro deputados é investigado ou responde por crimes ou ações por improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito.
Conforme levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo, dos cerca de 200 deputados que formam o bloco informal na Câmara, ao menos 60 possuem implicações na Justiça com acusações e suspeitas que envolvem desde lavagem de dinheiro e corrupção a crimes ambientais
Ações criminais avançaram sobre dois dos principais líderes do Centrão. O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), foi condenado a dez anos e dois meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Já o líder do Progressistas (antigo PP), Arthur Lira (AL), candidato do Palácio do Planalto à Presidência da Câmara dos Deputados, foi denunciado por corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em uma investigação da Operação Lava Jato.
Lira e Paulinho da Força lideram as agremiações que fazem parte do Centrão mais atingidas por investigações ou denúncias. Entre os sete partidos do bloco, o Solidariedade tem a bancada com o maior número de deputados comprometidos na Justiça.
Seis dos 14 parlamentares, mais de 40%, são alvo de processos judiciais que questionam sua conduta no setor público. A maior parte dos casos é referente a improbidade administrativa, com suspeita de danos aos cofres públicos.
O Progressistas vem em seguida, com 38% de seus representantes na Câmara implicados em processos que apontam ou investigam desde lavagem de dinheiro até fraude em licitação. Outras siglas que integram o Centrão são PTB (33% da bancada investigada) – que tem o ex-deputado Roberto Jefferson como presidente nacional –, PSD (25%), Republicanos (25%), DEM (27%) e PL (23%).
No total, os casos de improbidade administrativa e dano ao erário correspondem a mais da metade dos processos levantados. Fraude em licitação e falsidade ideológica também estão entre os crimes mais comuns pelos quais os parlamentares respondem.
O levantamento do Estadão não leva em conta processos já extintos, ações de danos morais ou execuções fiscais. A inclusão desses casos aumentaria o número de processados no Centrão de 60 para 77 deputados.
Fora do levantamento, há situações em que inquéritos foram arquivados por falta de provas. É o caso do deputado Fábio Faria (PSD-RN), atual Ministro das Comunicações.

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